terça-feira, 23 de agosto de 2016

Verdades naturais

O que é a verdade para a natureza?
Seria um conjunto de normas e regras,
padrões absoluta e arbitrariamente escolhidos?
Não é isso que a mesma demonstra
Sua verdade é o seu ser como estar
Seu fazer e continuar
Seu antes e seu depois, seu agora e seu amanhã

Desde a chuva que cai por simplesmente cair,
complexo é seu movimento, simples são suas palavras,
embora ouvidos surdos disponham-se a ouvi-las

A razão para o acontecer da Mãe Terra, nosso mundo,
é a simplória razão, que dentro da razão torna-se obsessão,
e fora desta simplória divisão, observa-se momento a momento a paixão

Você a toca carinhosamente,
ela retribui
Você a ofende,
ela o agride

Já se perguntou o porque dela machucá-lo,
mesmo quando você pensa que nada fez?
Seria o ciúme, talvez?

Ela se doa por inteiro para você,
e em troca recebe em seu olhar seus flertes com outras paixões,
e por serem vis a esta,
uma ferida é aberta
Suas lágrimas são seu céu chuvoso,
sua fúria é o mar de brasas secas do deserto,
seu fôlego é o vento,
seu destemperos são os tornados
sua alegria é o verdejante florescimento
seu amargor é a esterilidade e a erosão

No fim todos a abraçam,
e Ela,
sem nenhuma hesitação,
retribui calorosamente

sábado, 23 de julho de 2016

Seguro e Equivocado

Confiança no pensar
Estável na sua posição
Restando tão somente
Trilhas bem formadas
Oriundas do próprio convencimento

Entrementes

Engano nas aparências
Rotulação inconsequente
Razão de forma distorcida
Avaliação premeditada
Determinante por conveniência
Objetiva somente aquilo que antagoniza o correto

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mudança

O cenário é capaz de se reinventar quando fecho meus olhos,
ou meus olhos se reinventam e alteram o cenário?

Sons antes inaudíveis tornam-se audíveis,
ou sua pequenez em amplitude deixou de ser ignorada?

O vento frio galga por minha perna, sublevando o calor interno,
ou o calor interno ganha liberdade por ocasião da guerra inerente da temperatura com a
natureza?

Cheiros tomam-se de assalto,
ou o mar das fragrâncias invade agora em sentido à fidelidade?

Os sabores do mundo são dos mais diversos, e todos iguais: Os seus!
Por isso, viva a sua vida singular,
deixe no plural as diferenças,
no indicativo os amores,
no subjuntivo sua fé
e no imperativo suas tristezas.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Paranoia

Olhos e ouvidos em todo lugar
ainda que não os veja,
ou mesmo os ouça,
eles ainda estão lá

O que então fazer?
a permutação é necessária
troque os ouvidos pelos olhos
e perceba o que acontece

Primeiro estágio
os gestos falam com você
a carência da audição se faz presente,
mas o que prefere: Prisão alheia
ou um pedaço de liberdade?

Segundo estágio

A percepção aguçada fica
o estágio inicial da visão evolui
e os demais, como o tato,
a seguem

Terceiro estágio
Os ouvidos surdos e as vozes mudas voltam a me visitar
todo o aprendizado anterior é perdido
começo a ficar surdo dos olhos

Quarto estágio
Fuga
Escuridão
Medo

No fim, a constatação:
meus olhos, ouvidos e tato
estão ficando loucos

sábado, 23 de abril de 2016

Juízo de Conhecimento

Um dos nomes completos do Conhecimento é Saber
Seu ofício maior é o entendimento e a informação

Quando acorda de manhã e olha para um espelho,
vê nele a sua face de pura ignorância
Se vira seu rosto de lado e rejeita o reflexo,
seu semblante muda para autoilusão

Se imbuídos do mesmo,
teremos experiências semelhantes

A verdade que o Conhecimento enxerga é o fato,
e a mentira é tudo aquilo que o cerca

No seu dia-a-dia anda lado-a-lado com alguns,
que o conhecem intimamente e o respeitam
Por outro prisma há aqueles que,
chafurdando tudo que cercam os fatos,
se vangloriam de uma amizade de longa data com o Conhecimento,
porém isso é algo que ele desconhece,
e se tratando do próprio Saber,
é muito crítico

A verdade aparente do Conhecimento é uma mentira
Não há monopólio nas suas amizades,
bem como no oposto

Se o máximo que alguns conseguem é ter uma falsa amizade com o Conhecimento,
e a usam como fulcro para juízo de valor,
só posso lamentar e pedir para não rejeitarem seu próprio reflexo,
e que olhem de frente para si mesmos.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Pragmatismo alheio

-O que você está fazendo?
-Estou olhando pro céu!
-E por que você não ora pedindo por orientação?
-Por que estou olhando pro o céu?
-E por que você não vai lá embaixo assistir TV?
-Por que estou olhando pro o céu?
-Então por que você não vai até a casa de um amigo visitá-lo?
-Por que estou olhando pro o céu?
-Por que você não faz outra coisa?
-Por que estou olhando pro o céu?
-Quer saber? Desisto! Você só fica dizen... Peraí! Onde você vai?
-Vou me deitar.
-Por que você parou de olhar para o céu?
-Por que eu vou me deitar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

[Os 4 sentidos]4- O Imparcial

Os tambores anunciam o início,
embora tudo se assemelhe ao término
Os sons possuem tal magnitude que os tímpanos rompem-se nos primeiros instantes,
dando passagem a dor e a batalha corriqueira

Estejam preparados!
Preencham as convicções vazias das suas almas com ideias
Logo após, cubram tudo isso com sua prisão de carne, ossos e sangue,
para que vez após vez,
ataque após ataque,
esse templo possa ser violado
e todas as oferendas ali ofertadas possam ser saqueadas

Revestindo o conjunto anterior,
temos a camada de subjetividade,
uma armadura forte para alguns e fraca para outros
Sua "consistência" advém de puras verdades,
precisando para tanto que grupos a criem e estimulem seu crescimento

Esse é o soldado, castelo e cemitério ideais

Um soldado forjado por vontades sombrias e turvas,
aprisionando em seu templo interior estátuas de ídolos torpes e cruéis,
e sendo protegido por uma armadura de intolerância e insensibilidade

Este mesmo protege um castelo de um rei apático e mesquinho,
de paredes podres e pilastras mal posicionadas,
tendo traidores tão numerosos quanto as estrelas de um céu noturno límpido

Tudo o que resta a esse conjunto são as lúgubres terras do cemitério,
que são capazes de sobrepor um ideal mais altivo que uma montanha,
apagar todos os templos e castelos com a terra do chão e do tempo,
e indiferente de suas camadas subjetivas,
arrancar todo o conteúdo dos seres,
sejam soldados ou castelos,
restando depois somente uma pele estirada e vazia,
que alguns oportunistas utilizam para se metamorfosear em camaleões

Não me preocupa como começa ou termina
Ou quando termina e começa
Não importa o conteúdo das carcaças que serão agitadas e entrarão em choques
Nada vejo, sinto ou ouço
Apenas provo

Jean Buridan é meu pai e meu norte
Não intento que o forte sobrepuje o fraco,
nem o contrário
Aquilo que almejo é que o fraco queira tornar-se forte,
e que o forte queira tornar-se fraco

Que as forças tornem-se opostas em magnitude e sintam-se compelidas a neutralizarem-se
A medida que a luz cresce,
no extremo oposto a sombra torna-se cada vez mais negra

A todos levo minha cólera,
seja o mais sanguinário assassino,
que me tem como Deus e exemplo,
seja o mais esclarecido pacifista,
que buscando me demonizar,
acaba tendo que se aproximar de mim,
algumas vezes me tocando

Sou o primeiro a entrar no campo de batalha,
mas sempre saio acompanhado por meus irmãos

Quando você foge,
luta contra sua dormência
Quando você desiste,
batalha contra sua resistência
Quando você vive,
luta contra sua morte

Não importa de que lado você esteja,
eu sempre o influenciarei
E não se iluda com a igualdade e a neutralidade,
pois ambas são opostas a desigualdade e a escolha,
mais guerreiros em minha batalha,
sem sentido e infinita

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