Instalado no mais profundo superficial de todos os seres, lá ele se encontra, sendo na verdade ela.
Você nunca indaga se ela o possui ou se é o contrário. Quem poderá ter construído aquilo que nasceu para somente consumir?
Será que para se alimentar ela esvazia seus alvos?(quando estes estão satisfeitos)
Imagine alguém que é capaz de criar um ponto, e este por sua vez forma outro ponto, e assim segue-se até que todos os pontos formam uma reta.
Então, todas as retas em acordo formam um plano. Estes, por sua vez, formarão um espaço, e ad infinitum se formará um incontável número de dimensões.
Entre um destes momentos está você, ansioso por mais espaços, que por sua vez estão ansiando planos, e estes querem retas, e estas esperam pontos, e estes esperam pontos,
e estes esperam pontos...(ad infinitum)
Preciso de mais, mais, e mais para conseguir mais, mais e mais. Será que devorando-me conseguirei mais de mim?
Assim nasce o desejo daqueles que, não podendo mais esperar em si o que é e será de si, esperam o que será do que não é si.
Milhares de pontos, retas, planos, espaços...(ad infinitum). Todos esperando para formarem mais pontos, retas, planos, espaços...(ad infinitum). Todos para mim!
Este é o único caminho que possuo para existir, que outros deixem de existir para que eu possa me alimentar. Eu sou a ...
Ela veio, e eu não a vi Ela me beijou, e eu não senti Ela me abraçou, e eu tremi
Depois de seu primeiro aperto, eu sangrei
Logo após conhecê-la, convidei-a para jantar
Sem reservas
tudo o que estivesse ao seu alcance
seu seria
Ao final, num rito que transcende meu presente
e se forja além de meu passado,
deixei para homens de fé e para os negociadores de almas
somente os restos de nossa refeição
Quantas famílias chorarão amanhã?
Não me importo,
pois delas Ela também será íntima
Elas abrirão a porta, e Ela irá se fartar
Anoitece cedo dentro de mim
Sozinho, espero logo estar acompanhado
Ela enfim chegou, para nosso último encontro
Dou adeus aos campos escarlates,
alegrando-me de não mais contribuir para sua plantação funérea
Em meu futuro vazio vejo três estrelas,
que nunca brilharão, pois uma caixa opaca e fria
se fechou em meu presente transcedental
Percebo luzes e sombras
e também Ela,
que parte para os braços de outros amantes,
esperando pelo calor de seus corpos
Nossos pés empurram o solo
e ele, por pura vingança, nos golpeia de volta
esperando possivelmente que alcemos voo e partamos
O vento a nossa frente forma um mar invisível
um clube particular e único que somente os incorpóreos participam
nos espremendo e chutando toda vez que nele tentamos ingressar
As águas marítimas são como o topo de montanhas íngrimes
pois sempre que buscamos nossa vida em seu topo
as mãos vigorosas da realidade nos puxam até o chão firme
Nossa vontade é o fogo, que a tudo transforma em pó e retorna a vastidão da terra
É o calor que permite aos ventosde oportunidade subirem e descerem no ar
Se traduz como a fluidez de um rio de lava, que mediante sua passagem a tudo tenta entender,
agregando o que há em seu caminho, libertando o todo da pressão ininteligível da exclusão